A reconstrução parcial da mandíbula com enxerto ósseo restaura a continuidade do osso depois de uma ressecção parcial da mandíbula, e a escolha entre enxerto ósseo e retalho ósseo vascularizado depende do tamanho e da causa do defeito. Neste artigo você vê o que separa um enxerto de um retalho, o que uma meta-análise mostrou sobre falhas e complicações e o que se sabe sobre implantes nesse osso reconstruído. O conteúdo é educativo para profissionais: a decisão do caso é de quem o acompanha.

O que é a reconstrução parcial da mandíbula?

É a reposição do osso perdido após a retirada de um segmento da mandíbula, por tumor benigno, patologia, trauma ou outra causa. Quando a perda interrompe a continuidade do osso, fala-se em defeito de continuidade. O objetivo descrito na literatura é recuperar mastigação, fala e estética, e muitas vezes preparar o osso para receber implantes. Para o panorama de materiais e de tipos de enxerto, veja o guia de enxerto ósseo e o artigo Enxerto ósseo na mandíbula: técnicas e áreas doadoras.

Enxerto ósseo ou retalho ósseo: qual a diferença?

No enxerto não vascularizado, o osso é retirado de outro local (por exemplo, crista ilíaca ou costela) e depende da cicatrização no leito para se integrar. No retalho ósseo vascularizado, como o retalho livre de fíbula, o osso é levado com seus vasos e reconectado por microcirurgia. Os enxertos não vascularizados são considerados adequados para defeitos pequenos, e seu sucesso em defeitos maiores é discutido na literatura [3].

O que as revisões mostram sobre falha e complicações?

Uma revisão sistemática com meta-análise de 21 estudos (519 reconstruções após ressecção parcial da mandíbula) comparou retalhos ósseos e enxertos ósseos. A taxa média de falha foi de 3,5% para retalhos e 4,6% para enxertos, e a de complicações foi de 9,9% e 10,5%, sem diferença significativa [1]. Os autores alertam que os estudos tinham amostras pequenas e que os dados pedem cautela [1].

O que isso permite concluir: nesse conjunto de estudos, falhas e complicações foram baixas e parecidas nos dois grupos. Não permite afirmar que um é melhor que o outro, nem escolher a técnica sem considerar o tamanho do defeito, o estado do leito e o paciente.

E nos defeitos maiores?

Em um estudo retrospectivo com 20 pacientes, enxertos não vascularizados de costela ou de crista ilíaca foram usados após mandibulectomia segmentar por patologia benigna, com comprimentos de 4 a 10 cm. O sucesso do procedimento em 1 ano foi de 87,5% nos defeitos maiores que 6 cm e de 91,67% nos de até 6 cm [3]. É um estudo pequeno e de um único serviço, e os autores o apresentam como indício de que o limite de tamanho do enxerto não vascularizado pode ser debatido, e não como regra.

Um relato de caso descreve defeito de continuidade de cerca de 5 cm, reconstruído com enxerto de crista ilíaca não vascularizado e placa de reconstrução, com planejamento virtual e guias personalizados, e função favorável em 1 ano [6]. Um relato de caso mostra uma possibilidade, e não a frequência de um resultado.

Como fica a fixação e a mecânica?

Nos retalhos de fíbula, a revisão de fixação com mini-placas ou barra de reconstrução (16 estudos, 1.513 pacientes) mostrou mais complicações relacionadas à placa com mini-placas (32,5% contra 18,8%), e apenas três estudos compararam os dois métodos diretamente [2]. Já uma análise de elementos finitos, que é uma simulação em computador e não um estudo em pacientes, mostrou tensões mais altas na região posterior com o modelo de fíbula do que com o de crista ilíaca sob carga de molar [4]. Esse achado é de simulação e não substitui estudos clínicos.

O que se sabe sobre implantes no osso reconstruído?

Na meta-análise de enxertos e retalhos, a falha de implantes foi de 5,5% nos retalhos e 9,9% nos enxertos, sem diferença significativa [1]. No estudo de enxertos não vascularizados, 18 implantes instalados de forma tardia, depois de 9 a 18 meses de cicatrização, tiveram 100% de sobrevida, enquanto apenas um de quatro implantes imediatos sobreviveu em um caso [3]. Os números de implantes imediatos são pequenos demais para conclusão.

Como ler a evidência sobre reconstrução da mandíbula?

Algumas perguntas ajudam: o estudo compara técnicas ou só descreve uma? Reúne defeitos de causas diferentes? Quantos pacientes, e por quanto tempo foram acompanhados? Mediu falha do enxerto, complicações ou sobrevida de implantes? Os estudos citados aqui têm desenhos muito diferentes, de meta-análise a relato de caso e simulação, e seus números não são comparáveis entre si. Um panorama geral sobre enxertos autógenos, alógenos e sintéticos está em [5].

Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. A Zion Bio também publica sobre enxertos: Enxerto Ósseo Odontológico: Guia Completo, no LinkedIn e no Instagram @zion.bio. O portal é educativo e não promove produtos, e o vínculo comercial da Zion Bio, representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, é declarado.

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Perguntas frequentes sobre reconstrução parcial da mandíbula

O que é reconstrução parcial da mandíbula?

É a reposição do osso perdido após a retirada de parte da mandíbula, para restaurar a continuidade e a função [1].

Enxerto ósseo ou retalho de fíbula: qual falha menos?

Em uma meta-análise, a falha foi de 3,5% nos retalhos e 4,6% nos enxertos, sem diferença significativa, com ressalva sobre amostras pequenas [1].

Enxerto não vascularizado serve para defeitos grandes?

Um estudo pequeno com 20 pacientes teve sucesso de 87,5% em defeitos maiores que 6 cm, mas a literatura ainda discute o limite de tamanho [3].

Dá para colocar implantes depois da reconstrução?

Sim, e a sobrevida de implantes não diferiu significativamente entre enxertos e retalhos em uma meta-análise [1]. No estudo de enxertos não vascularizados, os implantes tardios tiveram 100% de sobrevida [3].

Mini-placa ou barra de reconstrução nos retalhos de fíbula?

Uma revisão encontrou mais complicações relacionadas à placa com mini-placas, mas só três estudos compararam diretamente os métodos [2].

Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)

  1. Mendes BC, Santos AMS, Rodrigues MTV, Santiago Junior JF, Hochuli-Vieira E, Faverani LP. Clinical and dental implant outcomes in patients after mandibular continuity reconstruction with bone flaps versus bone grafts: a systematic review and meta-analysis. Int J Oral Maxillofac Surg. 2025;55(1):94-109. PMID 40544100. DOI https://doi.org/10.1016/j.ijom.2025.06.011
  2. Sobti N, Ahmed KS, Polanco T, Chilov M, Cohen MA, Boyle J, Shahzad F, Matros E, Nelson JA, Allen RJ. Mini-plate versus reconstruction bar fixation for oncologic mandibular reconstruction with free fibula flaps: A systematic review and meta-analysis. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2022;75(8):2691-2701. PMID 35752590. DOI https://doi.org/10.1016/j.bjps.2022.04.097
  3. Chaudhary Z, Bansal N, Sharma P, Saini R, Garg V. Non-vascularised bone grafts: pushing beyond boundaries. Br J Oral Maxillofac Surg. 2026. PMID 42608237. DOI https://doi.org/10.1016/j.bjoms.2026.07.002
  4. Yildirim O, Ozkan A, Yolal MS. Evaluation of iliac and fibula graft reconstructions compared to healthy mandibles: A finite element analysis study. J Stomatol Oral Maxillofac Surg. 2025;127(2):102599. PMID 41057121. DOI https://doi.org/10.1016/j.jormas.2025.102599
  5. Ferraz MP. Bone Grafts in Dental Medicine: An Overview of Autografts, Allografts and Synthetic Materials. Materials (Basel). 2023;16(11):4117. PMID 37297251. DOI https://doi.org/10.3390/ma16114117
  6. Lawand G, Norell J, Gonzaga L, Nessif R, Vera V, Martin W. Full Digital Workflow for Mandibular Reconstruction with Iliac Crest Bone Graft and Implant Supported Prosthesis After Ameloblastoma Resection: A Case Report. Int J Oral Maxillofac Implants. 2026. PMID 42690953. DOI https://doi.org/10.11607/jomi.11831