Biomateriais são materiais desenvolvidos para interagir com sistemas biológicos, seja para substituir, reparar ou apoiar a regeneração de tecidos. Neste guia você encontra o que são os biomateriais, para que servem, quais são os tipos, como aparecem na odontologia, na medicina e na veterinária, o que a nanotecnologia acrescenta e como ler os estudos sobre eles.

O que são biomateriais?

Um biomaterial pode ser metálico, cerâmico, polimérico ou de origem natural. O que os une é a finalidade: ficar em contato com o organismo e cumprir uma função, como preencher um defeito ósseo, proteger uma área em cicatrização ou servir de suporte para o tecido crescer. Por isso, um mesmo material pode funcionar bem em uma aplicação e mal em outra. A escolha depende do tecido, do tamanho do defeito e da função esperada.

Para que servem os biomateriais?

Os biomateriais servem para reparar, substituir ou regenerar tecidos do corpo, sobretudo quando ele não consegue recompor a estrutura sozinho. Defeitos pequenos de osso podem se regenerar de forma natural. Já os extensos, ou os decorrentes de perda e de patologias, costumam pedir cirurgia e o uso de materiais substitutos, segundo a revisão de Ferraz (2023) sobre enxertos em odontologia [1].

O padrão de comparação histórico é o osso do próprio paciente, o enxerto autógeno. Ele tem limitações: exige um segundo sítio cirúrgico, e a quantidade disponível é limitada [1][2]. Parte do interesse nos biomateriais vem justamente de oferecer alternativas a essa retirada.

Quais são os tipos de biomateriais?

Uma forma simples de organizar é pela origem e pela composição.

Metais

Usados quando a função é sustentar carga, como em fixações e implantes. Não são substitutos de preenchimento ósseo, e sim estruturas de suporte.

Cerâmicas

Entre as cerâmicas, as de fosfato de cálcio, como a hidroxiapatita, são muito estudadas por se parecerem com o mineral do osso [1]. As cerâmicas bifásicas, que combinam hidroxiapatita e fosfato tricálcico, têm uma longa história de uso em reconstrução óssea. A revisão de Bouler e colaboradores (2017) descreve como a razão entre as duas fases e a porosidade influenciam a reabsorção e a substituição por osso novo [2].

Polímeros

Podem ser naturais ou sintéticos e aparecem em membranas, suportes e materiais combinados com outros componentes. Revisões gerais de substitutos ósseos incluem os polímeros e os compósitos ao lado das cerâmicas [4].

Materiais de origem natural

Incluem o osso de outro ser humano (alógeno), o de outra espécie (xenógeno, como o bovino) e o colágeno. Segundo Ferraz (2023), os aloenxertos são osso humano selecionado e processado, e os xenoenxertos têm composição química parecida com a do osso humano [1].

Como os biomateriais são usados em odontologia, medicina e veterinária?

Na odontologia e na cirurgia bucomaxilofacial, aparecem em enxertos para preencher alvéolos, aumentar o volume ósseo e levantar o seio maxilar, e em membranas usadas na regeneração óssea guiada [1].

Na medicina, o uso alcança diferentes regiões do corpo, como no preenchimento de defeitos ósseos, em alternativa ao enxerto retirado do próprio paciente. Uma revisão publicada em periódico de ortopedia reuniu cerâmicas de hidroxiapatita e fosfato tricálcico, cimentos de fosfato de cálcio, sulfatos de cálcio, biovidros, polímeros, compósitos e xenoenxertos [4].

Na medicina veterinária, as aplicações são semelhantes em princípio, mas cada espécie tem protocolos próprios, e a escolha do material deve seguir a indicação do fabricante e a orientação do médico-veterinário.

O que a nanotecnologia muda nos biomateriais?

Materiais com estrutura em escala nanométrica têm características de superfície diferentes das de materiais convencionais. Uma revisão crítica publicada em 2025 descreve os nanomateriais como candidatos a imitar a morfologia natural do osso e favorecer a osseointegração, e também discute desafios na produção e no uso desses materiais [3].

O que isso permite concluir: a nanoestrutura é uma característica promissora e muito estudada. O que ela não permite concluir, por si só, é que determinado produto terá o mesmo desempenho clínico de outro. Para isso, é preciso olhar os estudos do produto específico. Um exemplo: o Blue Bone, da Regener, é descrito pelo fabricante como um enxerto ósseo sintético de fosfatos de cálcio com partículas nanométricas simétricas. A Zion Bio é representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, e esse vínculo é declarado aqui. Esta página é informativa e não faz oferta de venda.

Como avaliar a evidência sobre um biomaterial?

Três perguntas ajudam a ler qualquer estudo:

  1. O estudo foi feito com este produto ou com a classe do material? Resultados de uma classe, como os fosfatos de cálcio, não valem automaticamente para um produto específico.
  2. Em quem e em quê foi testado? Células, animais e pacientes respondem perguntas diferentes, e um defeito pequeno não equivale a um extenso.
  3. O que o estudo permite concluir e quais são os limites? Revisões da área apontam a dificuldade de analisar estudos in vivo e clínicos para escolher o material mais adequado em cada situação [1].

Neste portal, cada estudo citado vem com a fonte (DOI ou PMID) e com essa leitura do que ele permite concluir. Para receber a curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta.

Qual é o futuro dos biomateriais?

A literatura recente aponta para materiais usados como suporte para entregar moléculas bioativas ou células, e para novas formas de produção, como a eletrofiação e a impressão 3D [2][3]. São direções de pesquisa, e não resultados garantidos. A tradução para a prática clínica depende de estudos específicos de cada material. Veja a biblioteca de dossiês e os encontros ao vivo para acompanhar o que a comunidade discute. Para uma comparação prática entre tipos de enxerto, a Zion Bio publicou o artigo Enxerto Ósseo Liofilizado x Sintético: Qual Escolher?. Novidades também saem no LinkedIn da Zion Bio e no Instagram @zion.bio.

Onde atuamos

O ZionBio Conecta é um portal online, com atuação global: profissionais de qualquer lugar podem acompanhar a curadoria e os encontros ao vivo. Para tirar dúvidas ou falar com a equipe, chame no WhatsApp (41) 99695-0917.

Perguntas frequentes sobre biomateriais

O que são biomateriais, em uma frase?

São materiais desenvolvidos para interagir com sistemas biológicos, para substituir, reparar ou apoiar a regeneração de tecidos.

Biomaterial e enxerto ósseo são a mesma coisa?

Não. O enxerto ósseo é um tipo de biomaterial usado para preencher ou reconstruir osso. Há biomateriais com outras funções, como membranas, suportes e fixações.

O osso do próprio paciente ainda é a referência?

O enxerto autógeno é considerado o padrão de comparação, mas exige um segundo sítio cirúrgico e a quantidade disponível é limitada [1][2].

Todo biomaterial nanoestruturado funciona igual?

Não. A nanoestrutura é uma característica do material. O desempenho clínico depende do produto, da indicação e dos estudos específicos dele [3].

Onde encontro as fontes citadas?

Na lista abaixo, com DOI e PMID, todas conferidas no PubMed. Ficou com dúvida ou quer sugerir um tema? Fale com a gente pela página de contato.

Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)

  1. Ferraz MP. Bone Grafts in Dental Medicine: An Overview of Autografts, Allografts and Synthetic Materials. Materials (Basel). 2023;16(11):4117. PMID 37297251. DOI https://doi.org/10.3390/ma16114117
  2. Bouler JM, Pilet P, Gauthier O, Verron E. Biphasic calcium phosphate ceramics for bone reconstruction: A review of biological response. Acta Biomater. 2017;53:1-12. PMID 28159720. DOI https://doi.org/10.1016/j.actbio.2017.01.076
  3. Teymouri A, Shahrezaee MH, Heidari R, et al. The potential of nanotechnology in bone repair: a critical review. J Biomater Sci Polym Ed. 2025;37(15):2865-2893. PMID 41475403. DOI https://doi.org/10.1080/09205063.2025.2604828
  4. Schnürer SM, Gopp U, Kühn KD, Breusch SJ. Knochenersatzmittel (Bone substitutes). Orthopade. 2003;32(1):2-10. PMID 12557080. DOI https://doi.org/10.1007/s00132-002-0407-9