A regeneração óssea é a capacidade do osso de se reconstruir após uma fratura, uma extração dentária ou a perda de um pedaço de tecido. Diferente de muitos tecidos, o osso consegue recuperar a própria estrutura, e não apenas formar uma cicatriz. Esse processo tem limites, e é neles que entram os biomateriais. Aqui você vê como o osso se recupera, quais células participam, o que favorece ou atrapalha e como enxertos e membranas apoiam a regeneração óssea.
Como o osso se forma e por que ele consegue se regenerar?
O osso é um tecido vivo, renovado o tempo todo. Células formadoras de osso (osteoblastos) e células que o reabsorvem (osteoclastos) trabalham em equilíbrio, e os osteócitos, que ficam dentro da matriz, ajudam a coordenar esse processo. Segundo uma revisão de 2025 sobre o hormônio paratireoide, osteoblastos e osteócitos ativam os osteoclastos pelo sistema RANK/RANKL, o que mantém um ciclo equilibrado de formação e reabsorção que preserva a densidade e a resistência do osso [1].
É esse remodelamento contínuo que permite ao osso se reparar. Pequenos defeitos podem se regenerar de forma natural, como descreve a revisão de Ferraz (2023) sobre enxertos em odontologia [2].
Quais são as fases da regeneração óssea?
De forma geral, o reparo passa por uma fase inicial de inflamação, em que o organismo limpa a área lesionada e sinaliza a chegada de células. Em seguida vem a formação de um tecido novo, que vai sendo mineralizado, e por fim a remodelação, em que o osso se reorganiza e recupera a forma e a resistência. O tempo de cada fase varia com a região do corpo, o tamanho da lesão e a saúde de quem está se recuperando.
Quais células participam da regeneração do osso?
Três grupos de células aparecem em praticamente toda descrição do processo: os osteoblastos, que produzem a matriz óssea, os osteoclastos, que reabsorvem o osso e abrem espaço para o novo, e os osteócitos, que monitoram o tecido [1]. A resposta imunológica também influencia o resultado, já que a inflamação inicial prepara o terreno para a formação de osso novo.
O que favorece ou atrapalha a regeneração óssea?
O osso precisa de irrigação sanguínea, estabilidade e espaço para o tecido novo crescer. Alguns fatores atrapalham:
- Infecção. Uma revisão sistemática de 72 estudos sobre infecções associadas a fraturas na região maxilofacial encontrou taxa conjunta de 5,6%, com a mandíbula entre os sítios mais afetados [3].
- Tabagismo e diabetes. Os mesmos autores identificaram tabagismo, uso de substâncias e comorbidades como o diabetes entre os fatores de risco para essas infecções. A demora no tratamento cirúrgico e a saúde periodontal ruim também se associaram a mais infecções [3].
- Glicocorticoides. Em doses altas, como em tratamentos prolongados com corticoide, esses hormônios afetam as células do osso e podem prejudicar a regeneração e a cicatrização de fraturas, segundo uma revisão de mecanismos moleculares [4].
O que isso permite concluir: esses fatores aumentam o risco de a regeneração ser pior. Não permitem prever o resultado de uma pessoa específica, que depende da avaliação do profissional que a acompanha.
Quando o osso não se regenera sozinho?
Quando o defeito é grande, como em perdas segmentares causadas por trauma, falhas de consolidação ou cirurgias de tumor, o osso pode não se reconstruir por conta própria. Uma revisão de 2022 sobre defeitos de tamanho crítico descreve esses casos como problemas clínicos difíceis, sem uma solução consistentemente satisfatória, e discute o uso de enxertos, substitutos ósseos e novas tecnologias, como a impressão 3D de suportes [5].
Como os biomateriais apoiam a regeneração óssea?
Os biomateriais entram quando o osso precisa de ajuda para ocupar um espaço ou se manter no lugar.
Enxertos e substitutos ósseos funcionam como suporte sobre o qual o osso novo cresce. O enxerto do próprio paciente é o padrão de comparação, mas exige um segundo sítio cirúrgico, e por isso existem alternativas: osso de doador humano, de origem animal e materiais sintéticos [2]. Entre os sintéticos, as cerâmicas bifásicas de fosfato de cálcio têm longo histórico em reconstrução óssea, com reabsorção progressiva e substituição por osso novo [6].
Membranas são barreiras colocadas sobre o enxerto na regeneração óssea guiada. Elas mantêm o espaço e impedem que tecidos de crescimento mais rápido, como o mole, ocupem o defeito. Uma revisão sistemática de 2026 comparou membranas de PTFE denso reforçadas com titânio e membranas de colágeno em aumentos verticais do rebordo. Ela encontrou que as duas abordagens foram eficazes para promover osso e permitir a instalação do implante, sem superioridade estatística consistente de uma sobre a outra, e concluiu que a escolha deve ser individualizada conforme o defeito [7].
Para um guia complementar sobre tipos de enxerto, veja o artigo Enxerto Ósseo Odontológico: Guia Completo, publicado pela Zion Bio.
Odontologia, medicina e veterinária: onde a regeneração óssea aparece
Na odontologia, a regeneração óssea está presente na preservação de alvéolos após extração, na reconstrução de rebordos para implantes e no levantamento do seio maxilar [2][7].
Na medicina, ela aparece em diferentes regiões do corpo, como em fraturas, falhas de consolidação e perdas ósseas por trauma ou cirurgia [3][5].
Na medicina veterinária, os princípios biológicos são os mesmos, mas cada espécie tem particularidades, e a escolha de materiais deve seguir a indicação do fabricante e a orientação do médico-veterinário.
Como ler a evidência sobre regeneração óssea?
Antes de confiar em uma conclusão, vale perguntar: o estudo foi feito em pessoas, em animais ou em células? Avaliou o produto específico ou a classe do material? O defeito era pequeno ou extenso? As revisões citadas aqui mostram por que isso importa: uma comparação entre dois tipos de membrana não vale para todos os defeitos [7], e a recomendação para defeitos de tamanho crítico não se aplica a lesões pequenas [5].
Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. A biblioteca de dossiês científicos reúne o material por área, e novidades da Zion Bio saem no LinkedIn e no Instagram @zion.bio.
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Perguntas frequentes sobre regeneração óssea
O osso se regenera sozinho?
Em muitos casos, sim, especialmente quando o defeito é pequeno e há irrigação e estabilidade. Defeitos extensos costumam precisar de cirurgia e de materiais de apoio [2][5].
O que atrapalha a regeneração óssea?
Infecção, tabagismo, diabetes, uso prolongado de corticoides e demora no tratamento aparecem entre os fatores associados a pior evolução [3][4].
Enxerto e membrana fazem a mesma coisa?
Não. O enxerto serve de suporte para o osso crescer. A membrana é uma barreira que mantém o espaço e protege o enxerto [2][7].
Qual membrana é melhor, de colágeno ou de PTFE?
Em uma revisão sistemática de 2026, ambas foram eficazes e não houve superioridade estatística consistente de uma sobre a outra em aumentos verticais. A escolha deve ser individualizada [7].
Regeneração óssea vale para animais também?
Os princípios biológicos são semelhantes, mas protocolos e materiais dependem da espécie. A indicação deve seguir o fabricante e o médico-veterinário.
Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)
- Bonnet AL, Aboishava L, Mannstadt M. Advances in Parathyroid Hormone-based medicines. J Bone Miner Res. 2025;40(11):1195-1206. PMID 40847810. DOI https://doi.org/10.1093/jbmr/zjaf118
- Ferraz MP. Bone Grafts in Dental Medicine: An Overview of Autografts, Allografts and Synthetic Materials. Materials (Basel). 2023;16(11):4117. PMID 37297251. DOI https://doi.org/10.3390/ma16114117
- Van der Cruyssen F, Forrest M, Holmes S, Bhatti N. A Systematic Review and Meta-Analysis of Fracture-Related Infections in Maxillofacial Trauma: Incidence, Risk Factors, and Management Strategies. J Clin Med. 2025;14(4):1332. PMID 40004862. DOI https://doi.org/10.3390/jcm14041332
- Hachemi Y, Rapp AE, Picke AK, Weidinger G, Ignatius A, Tuckermann J. Molecular mechanisms of glucocorticoids on skeleton and bone regeneration after fracture. J Mol Endocrinol. 2018;61(1):R75-R90. PMID 29588427. DOI https://doi.org/10.1530/JME-18-0024
- Mayfield CK, Ayad M, Lechtholz-Zey E, Chen Y, Lieberman JR. 3D-Printing for Critical Sized Bone Defects: Current Concepts and Future Directions. Bioengineering (Basel). 2022;9(11):680. PMID 36421080. DOI https://doi.org/10.3390/bioengineering9110680
- Bouler JM, Pilet P, Gauthier O, Verron E. Biphasic calcium phosphate ceramics for bone reconstruction: A review of biological response. Acta Biomater. 2017;53:1-12. PMID 28159720. DOI https://doi.org/10.1016/j.actbio.2017.01.076
- Duchatelle C, Costa R, Vinhas AS, Salazar F, Cabral C, Reis C. Guided Bone Regeneration for Vertical Alveolar Augmentation: Clinical Evaluation of d-PTFE-Ti Membranes and Comparison with Collagen Membranes: A Systematic Review. J Funct Biomater. 2026;17(8):353. PMID 42646156. DOI https://doi.org/10.3390/jfb17080353
A Zion Biomateriais também publica artigos científicos e a página de ciência sobre regeneração óssea.