O enxerto ósseo é um material colocado em um defeito para apoiar a formação de osso novo. Ele pode vir do próprio paciente, de um doador humano, de outra espécie ou ser produzido em laboratório. Neste guia sobre enxerto ósseo você vê como cada tipo funciona, em que situações aparecem, o que a evidência permite concluir e como ler esses estudos.

O que é um enxerto ósseo e como ele funciona?

O enxerto ocupa o espaço do defeito e serve de suporte para que o osso cresça. Na literatura, as propriedades que se esperam de um enxerto são três: a osteocondução, em que o material serve de arcabouço para o osso se formar sobre ele, a osteoindução, em que há estímulo químico para células se transformarem em formadoras de osso, e a osteogênese, em que o próprio enxerto traz células vivas formadoras de osso [1]. Nem todo enxerto reúne as três.

Quais são os tipos de enxerto ósseo?

Autógeno

Vem do próprio paciente. É considerado o padrão de comparação, mas exige um segundo sítio cirúrgico e a quantidade disponível é limitada [2][3].

Alógeno

Vem de doador humano. Segundo a revisão de Ferraz (2023), os aloenxertos são osso humano cuidadosamente selecionado e processado [2]. Uma revisão sobre enxerto alógeno humano na maxila descreve que ele oferece uma estrutura tridimensional para o crescimento de osso novo [3].

Xenógeno

Vem de outra espécie, como a bovina, e tem composição química parecida com a do osso humano [2].

Sintético

É produzido em laboratório. Entre os sintéticos, as cerâmicas de fosfato de cálcio, como a hidroxiapatita, são muito estudadas por se parecerem com o mineral do osso [2]. As cerâmicas bifásicas, que combinam hidroxiapatita e fosfato tricálcico, têm longo histórico em reconstrução óssea, com reabsorção progressiva e substituição por osso novo [4]. Materiais sintéticos podem ter limitações, como menor capacidade osteoindutora e de moldagem [2].

Qual enxerto ósseo é melhor?

Não existe um enxerto melhor para todos os casos. A escolha depende do tamanho e do formato do defeito, da região, da viabilidade do tecido e da indicação de cada produto [2].

Uma revisão sistemática com meta-análise em rede avaliou materiais para preservação do rebordo após extração dentária. Todos os materiais reduziram a perda horizontal e vertical em comparação com a cicatrização espontânea. Xenoenxertos e aloenxertos, isolados ou combinados com agentes bioativos, foram os mais previsíveis para preservar a dimensão do rebordo, e os autores pedem mais evidência para confirmar o valor de alternativas [5].

O que isso permite concluir: enxertar costuma preservar mais o rebordo do que deixar cicatrizar sozinho, e vários tipos de material funcionam. Não permite concluir que um tipo seja o melhor em todas as situações.

Em que situações o enxerto ósseo é usado?

Na odontologia, aparece na preservação do alvéolo após extração, no aumento de rebordo para implantes e no levantamento do seio maxilar [2][5]. No seio maxilar, a elevação pode ser feita com ou sem biomateriais de enxerto, e uma revisão sistemática apontou que não há evidência robusta sobre o uso isolado de concentrados de plaquetas, necessitando de estudos clínicos mais bem conduzidos [6].

Na medicina, os substitutos ósseos são usados em diferentes regiões do corpo para preencher defeitos, como alternativa à retirada de osso do próprio paciente [1].

Na medicina veterinária, os princípios são semelhantes, com protocolos próprios para cada espécie. A escolha do material deve seguir a indicação do fabricante e a orientação do médico-veterinário.

Um exemplo de enxerto sintético: o Blue Bone

Como exemplo informativo, o Blue Bone, da Regener, é descrito pelo fabricante como um enxerto ósseo sintético de fosfatos de cálcio, com partículas nanométricas simétricas, em apresentações Small, Large e P4CK Large. As indicações e os cuidados estão nas instruções de uso do fabricante.

A Zion Bio é representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, e esse vínculo é declarado aqui. Esta página é informativa e não faz oferta de venda. Veja também a página Blue Bone.

Como ler a evidência sobre enxertos?

Ajudam algumas perguntas: o estudo foi feito com este produto ou com o tipo de material? Foi em pessoas, em animais ou em células? Mediu osso formado em exame de imagem, em análise histológica ou o resultado clínico, como a sobrevida do implante? As revisões citadas mostram que comparações entre materiais valem para a situação estudada, e não para todas [5][6].

Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. Veja também os guias de biomateriais, regeneração óssea e membrana de colágeno. A Zion Bio também publica sobre o assunto: Enxerto Ósseo Liofilizado x Sintético: Qual Escolher?, no LinkedIn e no Instagram @zion.bio.

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Perguntas frequentes sobre enxerto ósseo

Quais são os tipos de enxerto ósseo?

Autógeno (do próprio paciente), alógeno (de doador humano), xenógeno (de outra espécie, como a bovina) e sintético (produzido em laboratório) [2].

O enxerto do próprio paciente é o melhor?

É o padrão de comparação, mas exige um segundo sítio cirúrgico e a quantidade é limitada, por isso existem alternativas [2][3].

Enxerto sintético funciona?

Cerâmicas de fosfato de cálcio têm longo histórico em reconstrução óssea [4]. O desempenho depende do produto, da indicação e dos estudos específicos dele.

Enxerto ósseo é só para implantes?

Não. Na odontologia ele aparece em extrações, rebordos e seio maxilar, e na medicina em defeitos ósseos de diferentes regiões do corpo [1][2][5].

Todo enxerto precisa de membrana?

Depende do caso. Em regeneração óssea guiada, a membrana é uma barreira que protege o enxerto, e a decisão é do profissional conforme o defeito.

Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)

  1. Calcei JG, Rodeo SA. Orthobiologics for Bone Healing. Clin Sports Med. 2019;38(1):79-95. PMID 30466724. DOI https://doi.org/10.1016/j.csm.2018.08.005
  2. Ferraz MP. Bone Grafts in Dental Medicine: An Overview of Autografts, Allografts and Synthetic Materials. Materials (Basel). 2023;16(11):4117. PMID 37297251. DOI https://doi.org/10.3390/ma16114117
  3. Bavetta G, Licata ME. The use of human allogenic graft (HBA) for maxillary bone regeneration: review of literature and case reports. Curr Pharm Des. 2012;18(34):5559-5568. PMID 22632396. DOI https://doi.org/10.2174/138161212803307572
  4. Bouler JM, Pilet P, Gauthier O, Verron E. Biphasic calcium phosphate ceramics for bone reconstruction: A review of biological response. Acta Biomater. 2017;53:1-12. PMID 28159720. DOI https://doi.org/10.1016/j.actbio.2017.01.076
  5. Canullo L, Del Fabbro M, Khijmatgar S, Panda S, Ravidà A, Tommasato G, Sculean A, Pesce P. Dimensional and histomorphometric evaluation of biomaterials used for alveolar ridge preservation: a systematic review and network meta-analysis. Clin Oral Investig. 2022;26(1):141-158. PMID 34826029. DOI https://doi.org/10.1007/s00784-021-04248-1
  6. Ortega-Mejia H, Estrugo-Devesa A, Saka-Herrán C, Ayuso-Montero R, López-López J, Velasco-Ortega E. Platelet-Rich Plasma in Maxillary Sinus Augmentation: Systematic Review. Materials (Basel). 2020;13(3):622. PMID 32019255. DOI https://doi.org/10.3390/ma13030622

A Zion Biomateriais também mantém a página de produto do Blue Bone, enxerto sintético da Regener, e os dossiês científicos da empresa.