O enxerto ósseo na mandíbula serve para reconstruir defeitos e para recuperar volume de osso antes ou durante a instalação de implantes, e as técnicas e as áreas doadoras variam com o tamanho do defeito. Neste guia você vê quando o enxerto mandibular é indicado, que técnicas existem, quais são as áreas doadoras descritas na literatura e o que as revisões mostram sobre cada escolha. O conteúdo é educativo para profissionais: a decisão de técnica e de material é de quem acompanha o caso.

Quando se faz enxerto ósseo na mandíbula?

Em geral, quando há perda de osso que impede reabilitar a região ou que deixa um defeito a reconstruir. Pequenos defeitos ósseos podem se regenerar de forma natural, enquanto os extensos ou os decorrentes de perda, trauma ou patologia costumam pedir cirurgia e material de substituição [1]. Esse contexto é descrito no guia de regeneração óssea. Para os tipos de material, veja o guia de enxerto ósseo.

Quais técnicas de enxerto na mandíbula existem?

As duas famílias mais citadas são o enxerto particulado, usado com membrana na regeneração óssea guiada, e o enxerto em bloco, em que um bloco de osso é fixado no defeito.

A escolha tem consequências. Em uma revisão sistemática de aumento horizontal do rebordo, o uso de enxerto em bloco aumentou a incidência de complicações pós-operatórias menores, e a técnica em duas etapas aumentou as complicações menores e maiores [2]. Em aumento vertical, as complicações de cicatrização ocorreram em cerca de 11% dos casos e reduziram o ganho ósseo [3]. Esses números vêm de estudos que reúnem diferentes regiões, e não só da mandíbula.

Quais são as áreas doadoras do osso para enxerto mandibular?

Quando se usa osso do próprio paciente, o padrão de comparação, o sítio de retirada importa, porque exige um segundo local cirúrgico e a quantidade disponível é limitada [1].

  • Região retromolar da mandíbula. Em um estudo de coorte, o local doador recuperou cerca de 64,5% do volume inicial em 6 meses e 89,2% em 1 ano, e os autores concluem que não é preciso preencher o local doador porque a cicatrização é espontânea [4].
  • Mento (região do queixo) e crista ilíaca. Uma meta-análise de 23 estudos mostrou que implantes em maxilares enxertados com osso da crista ilíaca tiveram sobrevida menor do que os enxertados com osso retirado da boca, e que as complicações no local doador foram frequentes com a crista ilíaca e com os enxertos do mento. Entre elas, dor, desconforto, alteração da marcha e alteração de sensibilidade [5].
  • Tíbia proximal. Em um estudo retrospectivo com 40 pacientes com defeitos mandibulares causados por lesões benignas, a tíbia proximal permitiu obter grande volume de osso esponjoso (cerca de 15 cc em média), com baixo risco de complicações precoces e tardias [6].

O que isso permite concluir: há mais de uma área doadora, e cada uma tem um perfil de volume, de recuperação e de complicações. Não permite escolher uma delas sem considerar o defeito e o caso, nem comparar diretamente estudos com desenhos diferentes.

Osso do próprio paciente ou substituto?

O enxerto autógeno é o padrão de comparação, mas existem alternativas: osso de doador humano (alógeno), de origem animal (xenógeno) e materiais sintéticos [1]. Cada tipo tem vantagens e limitações, descritas no guia de enxerto ósseo. A escolha depende do tamanho e do formato do defeito, da região e da indicação do produto [1].

Quais complicações o enxerto mandibular tem?

As complicações descritas para enxertos em geral se aplicam: deiscência da ferida, exposição do material, infecção e falha de integração. Em aumento horizontal, a deiscência pequena ocorreu em cerca de 9,9% dos locais e a infecção pequena em cerca de 1,5% [2]. Em fraturas maxilofaciais, a mandíbula foi o sítio com maior taxa de infecção associada a fratura (8,9%) em uma meta-análise, e tabagismo, diabetes e saúde periodontal ruim se associaram a mais infecções [7]. Esse dado vem de fraturas, e não de enxertos, e mostra que a mandíbula é uma região em que fatores do paciente pesam. Veja também os artigos Enxerto ósseo dentário é perigoso? e Enxerto ósseo saindo pela gengiva.

Como ler a evidência sobre enxerto mandibular?

Algumas perguntas ajudam: o estudo é sobre a mandíbula ou reúne várias regiões? Mediu o osso formado, as complicações ou a sobrevida de implantes? Comparou áreas doadoras ou apenas descreveu uma? Quantos pacientes e por quanto tempo? Os estudos aqui citados têm desenhos diferentes, e os números não são comparáveis entre si.

Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. A Zion Bio também publica sobre enxertos: Enxerto Ósseo Odontológico: Guia Completo, no LinkedIn e no Instagram @zion.bio. O portal é educativo e não promove produtos, e o vínculo comercial da Zion Bio, representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, é declarado.

Onde atuamos

O ZionBio Conecta é um portal online, com atuação global: profissionais de qualquer lugar podem acompanhar a curadoria e os encontros ao vivo. Para tirar dúvidas ou falar com a equipe, chame no WhatsApp (41) 99695-0917.

Perguntas frequentes sobre enxerto ósseo na mandíbula

Quando o enxerto ósseo na mandíbula é indicado?

Quando há perda óssea que impede a reabilitação ou deixa um defeito a reconstruir. Defeitos pequenos podem se regenerar sozinhos, e os extensos costumam pedir enxerto [1].

De onde pode vir o osso para o enxerto?

Do próprio paciente (região retromolar, mento, crista ilíaca, tíbia), de doador humano, de origem animal ou de materiais sintéticos [1][4][5][6].

O local de onde se retira o osso se recupera?

Na região retromolar, um estudo mostrou recuperação espontânea de cerca de 89% do volume em 1 ano [4]. Na crista ilíaca e no mento, as complicações no local doador foram frequentes [5].

Enxerto em bloco tem mais risco que particulado?

Em aumento horizontal, o enxerto em bloco aumentou as complicações pós-operatórias menores em uma revisão sistemática [2].

Quais fatores aumentam o risco na mandíbula?

Tabagismo, diabetes e saúde periodontal ruim se associaram a mais infecções em fraturas maxilofaciais [7].

Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)

  1. Ferraz MP. Bone Grafts in Dental Medicine: An Overview of Autografts, Allografts and Synthetic Materials. Materials (Basel). 2023;16(11):4117. PMID 37297251. DOI https://doi.org/10.3390/ma16114117
  2. Tay JRH, Lu XJ, Lai WMC, Fu JH. Clinical and histological sequelae of surgical complications in horizontal guided bone regeneration: a systematic review and proposal for management. Int J Implant Dent. 2020;6(1):76. PMID 33241468. DOI https://doi.org/10.1186/s40729-020-00274-y
  3. Tay JRH, Ng E, Lu XJ, Lai WMC. Healing complications and their detrimental effects on bone gain in vertical-guided bone regeneration: A systematic review and meta-analysis. Clin Implant Dent Relat Res. 2022;24(1):43-71. PMID 35048503. DOI https://doi.org/10.1111/cid.13057
  4. Daoud S, Zoabi A, Kasem A, Totry A, Oren D, Redenski I, Srouji S, Kablan F. Computer-Assisted Evaluation Confirms Spontaneous Healing of Donor Site One Year following Bone Block Harvesting from Mandibular Retromolar Region: A Cohort Study. Diagnostics (Basel). 2024;14(5):504. PMID 38472976. DOI https://doi.org/10.3390/diagnostics14050504
  5. McKenna GJ, Gjengedal H, Harkin J, Holland N, Moore C, Srinivasan M. Effect of autogenous bone graft site on dental implant survival and donor site complications: a systematic review and meta-analysis. J Evid Based Dent Pract. 2022;22(3):101731. PMID 36162883. DOI https://doi.org/10.1016/j.jebdp.2022.101731
  6. Malara P, von Krockow N, Niedzielska I, Malara B. Evaluation of the Proximal Tibia as a Donor Site of Cancellous Bone for Intraoral Grafting Procedures-A Retrospective Study. J Clin Med. 2022;11(6):1493. PMID 35329821. DOI https://doi.org/10.3390/jcm11061493
  7. Van der Cruyssen F, Forrest M, Holmes S, Bhatti N. A Systematic Review and Meta-Analysis of Fracture-Related Infections in Maxillofacial Trauma: Incidence, Risk Factors, and Management Strategies. J Clin Med. 2025;14(4):1332. PMID 40004862. DOI https://doi.org/10.3390/jcm14041332