O enxerto ósseo dentário é um procedimento rotineiro na odontologia, com riscos conhecidos que a literatura descreve com números. Não é correto responder apenas “sim” ou “não”: o risco depende do tipo de material, da técnica, do tamanho do defeito e de fatores do paciente, como o tabagismo. Neste guia você vê quais complicações aparecem nas revisões, o que muda conforme o enxerto, o que pesa no resultado e como ler esses estudos. O conteúdo é educativo e não substitui a avaliação de quem acompanha cada caso.

O enxerto ósseo dentário é perigoso?

Perigoso, no sentido de ameaçar a vida, não é a descrição que a literatura faz do enxerto ósseo dentário. O que as revisões descrevem são complicações locais, na maioria das vezes pequenas e tratáveis, que podem reduzir o ganho de osso quando acontecem. Para entender o que é um enxerto e como ele funciona, veja o guia de enxerto ósseo.

Quais são os riscos e as complicações descritos na literatura?

As complicações mais citadas são a abertura da ferida (deiscência), a exposição do material ou da membrana, a infecção e a falha de integração do enxerto.

Uma meta-análise de aumento vertical do rebordo, com 31 publicações, encontrou complicações de cicatrização em cerca de 11% dos casos. A exposição da membrana sem supuração ocorreu em 8,7% dos locais, a exposição com supuração em 0,7% e o abscesso sem exposição em 0,5%. Quando houve complicação, o ganho ósseo vertical foi menor do que na cicatrização sem intercorrência. Os autores concluem que essas complicações são relativamente incomuns [1].

Em aumento horizontal, uma revisão sistemática encontrou deiscência pequena em cerca de 9,9% dos locais e infecção pequena em cerca de 1,5%. No nível do paciente, complicações menores ocorreram em cerca de 16,1% e as maiores em cerca de 1,6%. O uso de enxerto em bloco e a técnica em duas etapas se associaram a mais complicações [2].

O que isso permite concluir: complicações existem e se concentram em eventos menores, como a deiscência. Não permite prever o que acontecerá com um paciente em particular.

O tipo de enxerto muda o risco?

Sim, em alguns pontos. Cada tipo tem um perfil próprio de vantagens e limitações [3].

Enxerto autógeno (do próprio paciente). É o padrão de comparação, mas exige um segundo sítio cirúrgico, e a quantidade disponível é limitada [3]. Uma meta-análise de 23 estudos mostrou que implantes em maxilares enxertados com osso da crista ilíaca tiveram sobrevida menor do que os enxertados com osso retirado da própria boca, e que a crista ilíaca se associou com frequência a complicações no local da retirada, como dor, alteração da marcha e alteração de sensibilidade [4]. Em retiradas na região retromolar da mandíbula, um estudo de coorte mostrou recuperação espontânea do local, com cerca de 64,5% do volume inicial em 6 meses e 89,2% em 1 ano [5].

Enxertos alógeno, xenógeno e sintético. Evitam a retirada de osso do paciente. Segundo a revisão de Ferraz (2023), os aloenxertos são osso humano selecionado e processado, os xenoenxertos têm composição química parecida com a do osso humano e os sintéticos, como as cerâmicas de fosfato de cálcio, podem ter limitações de moldagem e de capacidade osteoindutora [3]. Na preservação do rebordo após extração, uma meta-análise em rede de 88 ensaios clínicos encontrou que todos os materiais reduziram a perda de rebordo em comparação com a cicatrização espontânea, e que xenoenxertos e aloenxertos foram os mais previsíveis [6].

A segurança infecciosa desses materiais depende do processamento e do registro regulatório de cada produto, informados pelo fabricante nas instruções de uso. Este guia não cita uma taxa de transmissão de doenças porque não há estudo conferido para sustentá-la.

Que fatores do paciente e da técnica aumentam o risco?

  • Tabagismo. Uma revisão sobre o metabolismo ósseo ao redor de implantes descreve que fumantes têm o metabolismo ósseo prejudicado e maior risco de falha precoce e de complicações tardias [7].
  • Outros fatores do paciente. A mesma revisão aponta a influência de certos medicamentos, da dieta e da síndrome metabólica sobre o osso peri-implantar [7]. Em fraturas maxilofaciais, uma revisão sistemática identificou tabagismo e diabetes entre os fatores de risco para infecção, e a saúde periodontal ruim também se associou a mais infecções [8].
  • Técnica. A exposição do material e a escolha entre uma ou duas etapas influenciam as complicações, como visto acima [1][2].

O que é esperado depois do enxerto e quando investigar?

Este conteúdo não faz orientação clínica. O que a literatura trata como evolução comum depende do tipo de enxerto e do procedimento, e qualquer sinal fora do esperado, como dor crescente, secreção, saída de material ou abertura da ferida, deve ser avaliado por quem realizou o procedimento. Os artigos seguintes desta série tratam de inchaço, de material saindo pela gengiva e de comunicação com o seio maxilar, sempre pela ótica da evidência.

Como o profissional reduz os riscos?

Pela seleção do caso, pela técnica, pelo fechamento cuidadoso da ferida, pela escolha do material conforme a indicação e as instruções do fabricante e pelo acompanhamento. As revisões citadas mostram que a técnica e a cicatrização dos tecidos moles pesam tanto quanto o material [1][2][6].

Como ler a evidência sobre segurança de enxertos?

Algumas perguntas ajudam: o estudo é uma revisão sistemática, um ensaio clínico ou um relato de caso? Mediu complicações ou só osso formado? Em que tipo de defeito? Em quantos pacientes? E por quanto tempo acompanhou? Frequências de complicações variam entre estudos, e uma média não vale para todos os casos.

Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. Veja também os guias de regeneração óssea e de membrana para enxerto ósseo. A Zion Bio também publica sobre enxertos: Enxerto Ósseo Odontológico: Guia Completo, no LinkedIn e no Instagram @zion.bio. O portal é educativo e não promove produtos, e o vínculo comercial da Zion Bio, representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, é declarado.

Onde atuamos

O ZionBio Conecta é um portal online, com atuação global: profissionais de qualquer lugar podem acompanhar a curadoria e os encontros ao vivo. Para tirar dúvidas ou falar com a equipe, chame no WhatsApp (41) 99695-0917.

Perguntas frequentes sobre o risco do enxerto ósseo dentário

O enxerto ósseo dentário é perigoso?

A literatura descreve complicações locais, em geral pequenas e tratáveis, e não um perigo à vida. A frequência e a gravidade dependem do material, da técnica e do paciente [1][2].

Qual é a complicação mais comum?

A exposição da membrana ou do material e a abertura da ferida estão entre as mais citadas, e se associam a menor ganho ósseo [1][2].

Enxerto do próprio osso é mais seguro?

Não necessariamente. Ele evita materiais de outra origem, mas exige um segundo sítio cirúrgico, e a retirada da crista ilíaca se associa a mais complicações no local doador do que a retirada intraoral [3][4].

Fumar atrapalha o enxerto?

A literatura descreve pior metabolismo ósseo e maior risco de falha e de complicações em fumantes [7].

Quando devo procurar o profissional?

Diante de dor crescente, secreção, saída de material ou abertura da ferida. A avaliação é de quem acompanha o caso.

Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)

  1. Tay JRH, Ng E, Lu XJ, Lai WMC. Healing complications and their detrimental effects on bone gain in vertical-guided bone regeneration: A systematic review and meta-analysis. Clin Implant Dent Relat Res. 2022;24(1):43-71. PMID 35048503. DOI https://doi.org/10.1111/cid.13057
  2. Tay JRH, Lu XJ, Lai WMC, Fu JH. Clinical and histological sequelae of surgical complications in horizontal guided bone regeneration: a systematic review and proposal for management. Int J Implant Dent. 2020;6(1):76. PMID 33241468. DOI https://doi.org/10.1186/s40729-020-00274-y
  3. Ferraz MP. Bone Grafts in Dental Medicine: An Overview of Autografts, Allografts and Synthetic Materials. Materials (Basel). 2023;16(11):4117. PMID 37297251. DOI https://doi.org/10.3390/ma16114117
  4. McKenna GJ, Gjengedal H, Harkin J, Holland N, Moore C, Srinivasan M. Effect of autogenous bone graft site on dental implant survival and donor site complications: a systematic review and meta-analysis. J Evid Based Dent Pract. 2022;22(3):101731. PMID 36162883. DOI https://doi.org/10.1016/j.jebdp.2022.101731
  5. Daoud S, Zoabi A, Kasem A, Totry A, Oren D, Redenski I, Srouji S, Kablan F. Computer-Assisted Evaluation Confirms Spontaneous Healing of Donor Site One Year following Bone Block Harvesting from Mandibular Retromolar Region: A Cohort Study. Diagnostics (Basel). 2024;14(5):504. PMID 38472976. DOI https://doi.org/10.3390/diagnostics14050504
  6. Canullo L, Del Fabbro M, Khijmatgar S, Panda S, Ravidà A, Tommasato G, Sculean A, Pesce P. Dimensional and histomorphometric evaluation of biomaterials used for alveolar ridge preservation: a systematic review and network meta-analysis. Clin Oral Investig. 2022;26(1):141-158. PMID 34826029. DOI https://doi.org/10.1007/s00784-021-04248-1
  7. Insua A, Galindo-Moreno P, Miron RJ, Wang HL, Monje A. Emerging factors affecting peri-implant bone metabolism. Periodontol 2000. 2024;94(1):27-78. PMID 37904311. DOI https://doi.org/10.1111/prd.12532
  8. Van der Cruyssen F, Forrest M, Holmes S, Bhatti N. A Systematic Review and Meta-Analysis of Fracture-Related Infections in Maxillofacial Trauma: Incidence, Risk Factors, and Management Strategies. J Clin Med. 2025;14(4):1332. PMID 40004862. DOI https://doi.org/10.3390/jcm14041332