Quando se fala em enxerto ósseo dentário saindo pelo nariz, quase sempre o caso envolve o levantamento de seio maxilar, o procedimento que coloca enxerto sob a membrana do seio, acima dos dentes superiores. Nesse procedimento, a literatura descreve complicações como a perfuração da membrana do seio, a exposição do enxerto e a sinusite, que são os caminhos pelos quais o material pode se comunicar com o seio ou com a cavidade nasal. Este guia explica o que são essas complicações, com que frequência aparecem e o que as revisões mostram. É conteúdo educativo para profissionais, e a conduta em cada caso é de quem o acompanha.

Por que o material de enxerto pode sair pelo nariz?

O seio maxilar é uma cavidade aérea revestida por uma membrana fina, e o levantamento de seio eleva essa membrana para criar espaço para o enxerto. Se a membrana é perfurada ou se a ferida cirúrgica se abre, o enxerto pode ficar em comunicação com o seio e, por ele, com o nariz. Uma revisão sistemática de 74 estudos e 4.411 procedimentos de elevação do seio descreve como complicações mais comuns que exigiram intervenção, na via lateral, a perfuração da membrana do seio, a deiscência da ferida, a exposição e a falha do enxerto e a sinusite [1].

Este guia não cita uma frequência específica de “material saindo pelo nariz”, porque não há estudo conferido que a descreva. O que as revisões trazem são as frequências das complicações que explicam esse quadro.

O que é o levantamento de seio e quando é usado?

É uma técnica que aumenta a altura de osso na região posterior da maxila quando ela é insuficiente para receber implantes. Pode ser feita pela parede lateral do seio (via lateral) ou por dentro do rebordo (via transcrestal). A elevação pode ser feita com ou sem biomateriais de enxerto [2]. Para entender os tipos de material, veja o guia de enxerto ósseo.

Com que frequência acontecem a perfuração e outras complicações?

Em uma revisão sistemática de estudos clínicos da elevação do seio com acesso lateral, a perfuração da membrana foi a complicação intraoperatória mais descrita, com ocorrência geral de 15,7%, e os eventos hemorrágicos ocorreram em cerca de 0,4% [3]. Na revisão de 74 estudos, a via lateral teve mais perfurações da membrana e mais casos de sinusite do que a via transcrestal [1].

O que isso permite concluir: a perfuração é a complicação mais frequente da via lateral e pode ocorrer em um a cada seis procedimentos, em média. Não permite prever o risco em um paciente específico, que depende da anatomia, da técnica e da experiência.

A técnica muda o risco de perfuração?

A revisão sobre a via lateral encontrou menor incidência de perfuração com instrumentos ultrassônicos (10,9%) e com raspadores ósseos (6,0%) do que com instrumentos rotatórios (20,1%), e sugere que afinar a parede lateral antes de abrir a janela seria um fator importante para prevenir a perfuração [3]. Já uma meta-análise de quatro estudos com 178 procedimentos, que comparou diretamente a cirurgia piezoelétrica com instrumentos rotatórios, não encontrou diferença significativa no risco de perfuração da membrana nem na falha de implantes após um ano de carga [4]. Os resultados, portanto, não são unânimes, e as revisões pedem estudos de melhor qualidade.

Que sinais a literatura associa a complicação no seio?

A revisão de 74 estudos aponta a sinusite como uma das complicações que exigiram intervenção, e descreve dor, inchaço e edema como queixas pós-operatórias amplamente relatadas [1]. Saída de material, secreção nasal, dor crescente ou sinais de infecção merecem avaliação de quem realizou o procedimento. Este conteúdo não faz orientação clínica. Para o contexto de pós-operatório, veja o artigo Inchaço após enxerto ósseo dentário.

Como a literatura descreve o manejo?

As revisões relacionam estratégias de prevenção e de manejo para cada complicação, e concluem que o planejamento do tratamento deve incorporar estratégias para evitar essas complicações [1]. O manejo de um caso é uma decisão clínica, e este guia não recomenda condutas.

Como ler a evidência sobre complicações no seio maxilar?

Algumas perguntas ajudam: o estudo é de via lateral ou transcrestal? Mediu complicações durante a cirurgia ou depois dela? Quantos procedimentos analisou? Comparou técnicas ou instrumentos? Frequências variam entre estudos, e uma média não vale para todos os casos.

Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. Veja também os artigos Enxerto ósseo dentário é perigoso? e Enxerto ósseo saindo pela gengiva. A Zion Bio também publica sobre enxertos: Enxerto Ósseo Odontológico: Guia Completo, no LinkedIn e no Instagram @zion.bio. O portal é educativo e não promove produtos, e o vínculo comercial da Zion Bio, representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, é declarado.

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Perguntas frequentes sobre enxerto saindo pelo nariz

Por que o enxerto pode sair pelo nariz?

Em levantamento de seio, uma perfuração da membrana ou a abertura da ferida pode pôr o enxerto em comunicação com o seio e a cavidade nasal. A literatura descreve essas complicações [1].

A perfuração da membrana é comum?

Em acesso lateral, a ocorrência geral foi de 15,7% em uma revisão sistemática, e a via lateral teve mais perfurações do que a transcrestal [1][3].

A técnica influencia a perfuração?

Uma revisão encontrou menos perfurações com instrumentos ultrassônicos e raspadores do que com rotatórios, mas uma meta-análise de quatro estudos não encontrou diferença significativa entre piezoelétrico e rotatório [3][4].

Quais sinais merecem avaliação?

Saída de material, secreção nasal, dor crescente e sinais de infecção ou sinusite. A avaliação é de quem realizou o procedimento [1].

Todo levantamento de seio precisa de enxerto?

A elevação pode ser feita com ou sem biomateriais de enxerto. A decisão é do profissional, conforme o caso [2].

Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)

  1. Hsu YT, Rosen PS, Choksi K, Shih MC, Ninneman S, Lee CT. Complications of sinus floor elevation procedure and management strategies: A systematic review. Clin Implant Dent Relat Res. 2022;24(6):740-765. PMID 35737681. DOI https://doi.org/10.1111/cid.13086
  2. Ortega-Mejia H, Estrugo-Devesa A, Saka-Herrán C, Ayuso-Montero R, López-López J, Velasco-Ortega E. Platelet-Rich Plasma in Maxillary Sinus Augmentation: Systematic Review. Materials (Basel). 2020;13(3):622. PMID 32019255. DOI https://doi.org/10.3390/ma13030622
  3. Stacchi C, Andolsek F, Berton F, Perinetti G, Navarra CO, Di Lenarda R. Intraoperative Complications During Sinus Floor Elevation with Lateral Approach: A Systematic Review. Int J Oral Maxillofac Implants. 2017;32(3):e107-e118. PMID 28494033. DOI https://doi.org/10.11607/jomi.4884
  4. Atieh MA, Alsabeeha NH, Tawse-Smith A, Faggion CM, Duncan WJ. Piezoelectric surgery vs rotary instruments for lateral maxillary sinus floor elevation: a systematic review and meta-analysis of intra- and postoperative complications. Int J Oral Maxillofac Implants. 2015;30(6):1262-1271. PMID 26574851. DOI https://doi.org/10.11607/jomi.3895