Quando partículas de enxerto ou a membrana aparecem na gengiva depois de um enxerto ósseo, o quadro costuma estar ligado à abertura da ferida cirúrgica (deiscência) ou à exposição do material, complicações que as revisões sistemáticas descrevem com frequência e consequências conhecidas. Este guia mostra por que isso acontece, quão comum é, o que a literatura diz sobre o ganho ósseo nesses casos e como o manejo é descrito. É um conteúdo educativo para profissionais: a conduta em cada caso é de quem o acompanha.
Por que o enxerto pode sair pela gengiva?
O enxerto fica sob os tecidos moles, e a cicatrização depende de que a gengiva se mantenha fechada sobre ele. Quando a ferida se abre, o material ou a membrana podem ficar expostos. As revisões chamam esse evento de deiscência da ferida ou exposição da membrana, e a deiscência pequena é a complicação pós-operatória de maior incidência em regeneração óssea guiada horizontal [1]. Para entender o papel da membrana nessa técnica, veja o guia de membrana para enxerto ósseo.
Com que frequência isso acontece?
Em aumento horizontal do rebordo, uma revisão sistemática de estudos de 2015 a 2020 encontrou deiscência pequena em cerca de 9,9% dos locais e infecção pequena em cerca de 1,5%. No nível do paciente, complicações menores ocorreram em cerca de 16,1% e as maiores em cerca de 1,6% [1].
Em aumento vertical, uma meta-análise de 31 publicações encontrou exposição da membrana sem supuração em 8,7% dos locais, exposição com supuração em 0,7% e abscesso sem exposição em 0,5% [2]. Em uma meta-análise sobre malha de titânio, a exposição da malha foi a complicação mais citada, e a taxa conjunta de complicações foi de 10,8% [3].
Esses números descrevem grupos de estudos e não preveem o que acontece em um paciente.
Isso significa que o enxerto falhou?
Não necessariamente, mas costuma ter custo. A meta-análise de aumento vertical encontrou que o ganho ósseo vertical foi menor quando houve exposição da membrana sem supuração ou abscesso, em comparação com a cicatrização sem intercorrência (razão de médias de cerca de 0,65 e 0,62, respectivamente) [2]. A revisão de aumento horizontal relata que, nos casos com exposição, é comum encontrar uma camada de tecido conjuntivo fibroso, e não osso, na interface entre o osso original e o regenerado, e que a exposição se associa a menos osso e a mais reabsorção do enxerto [1].
O que isso permite concluir: a exposição costuma reduzir o ganho ósseo, e a redução varia. Não permite concluir que todo enxerto exposto falhe nem prever o grau de perda em um caso.
Que fatores aumentam a chance?
- Técnica e tipo de enxerto. Na revisão de aumento horizontal, o uso de enxerto em bloco aumentou a incidência de complicações pós-operatórias menores, e a técnica em duas etapas aumentou as complicações menores e maiores [1].
- Tipo de membrana. Reabsorvível ou não reabsorvível, o tipo de membrana não teve influência estatisticamente significativa em nenhuma complicação pós-operatória na revisão de aumento horizontal [1]. Na meta-análise de aumento vertical, também não houve diferença significativa entre os dispositivos regenerativos no nível do paciente [2].
- Tabagismo. Uma revisão sobre o metabolismo ósseo ao redor de implantes descreve que fumantes têm o metabolismo ósseo prejudicado e maior risco de falha precoce e de complicações tardias [4].
Como a literatura descreve o manejo?
A revisão de aumento horizontal relata que, diante dessas complicações, são comumente prescritos a aplicação diária de antissépticos, o uso de antimicrobianos sistêmicos, as revisões regulares e a remoção total dos biomateriais não integrados, para minimizar a perda de tecido no local cirúrgico [1]. Esse é um relato do que a literatura descreve, e não uma recomendação. A escolha da conduta é do profissional, com base no caso.
Quando procurar o profissional?
Material visível na gengiva, saída de partículas, abertura da ferida, dor crescente, secreção ou inchaço que piora são sinais que merecem avaliação de quem realizou o procedimento. Este conteúdo não faz orientação clínica. Para o contexto geral de riscos, veja o artigo Enxerto ósseo dentário é perigoso? O que a evidência mostra e, sobre o pós-operatório, Inchaço após enxerto ósseo dentário.
Como ler a evidência sobre exposição de enxertos?
Algumas perguntas ajudam: o estudo é de aumento horizontal ou vertical? Usou membrana, malha de titânio ou enxerto em bloco? A exposição foi com ou sem infecção? Como o ganho ósseo foi medido? Frequências variam entre estudos, e uma média não vale para todos os casos.
Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. Veja também o guia de enxerto ósseo. A Zion Bio também publica sobre enxertos: Enxerto Ósseo Odontológico: Guia Completo, no LinkedIn e no Instagram @zion.bio. O portal é educativo e não promove produtos, e o vínculo comercial da Zion Bio, representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, é declarado.
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Perguntas frequentes sobre enxerto saindo pela gengiva
Por que o enxerto ósseo sai pela gengiva?
Em geral por abertura da ferida (deiscência) ou exposição do material ou da membrana, complicações descritas nas revisões de regeneração óssea guiada [1][2].
É comum?
Em aumento horizontal, a deiscência pequena ocorreu em cerca de 9,9% dos locais, e em aumento vertical a exposição sem supuração, em 8,7% [1][2].
O enxerto exposto sempre falha?
Não necessariamente, mas a exposição se associa a menor ganho ósseo e, histologicamente, a tecido fibroso no lugar de osso na interface [1][2].
O tipo de membrana muda o risco?
Nas revisões citadas, o tipo de membrana, reabsorvível ou não, não teve influência estatisticamente significativa nas complicações [1][2].
O que fazer se o material aparecer na gengiva?
Esta é uma decisão clínica. O paciente deve procurar o profissional que fez o procedimento, e a literatura descreve acompanhamento, antissépticos, antimicrobianos e, em alguns casos, remoção do material não integrado [1].
Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)
- Tay JRH, Lu XJ, Lai WMC, Fu JH. Clinical and histological sequelae of surgical complications in horizontal guided bone regeneration: a systematic review and proposal for management. Int J Implant Dent. 2020;6(1):76. PMID 33241468. DOI https://doi.org/10.1186/s40729-020-00274-y
- Tay JRH, Ng E, Lu XJ, Lai WMC. Healing complications and their detrimental effects on bone gain in vertical-guided bone regeneration: A systematic review and meta-analysis. Clin Implant Dent Relat Res. 2022;24(1):43-71. PMID 35048503. DOI https://doi.org/10.1111/cid.13057
- Sabri H, Heck T, Manouchehri N, Alhachache S, Calatrava J, Misch CM, Wang HL. Bone augmentation using titanium mesh: A systematic review and meta-analysis. Int J Oral Implantol (Berl). 2024;17(3):251-269. PMID 39283219
- Insua A, Galindo-Moreno P, Miron RJ, Wang HL, Monje A. Emerging factors affecting peri-implant bone metabolism. Periodontol 2000. 2024;94(1):27-78. PMID 37904311. DOI https://doi.org/10.1111/prd.12532