A palatoplastia com enxerto ósseo se refere ao tratamento cirúrgico da fissura labiopalatina em que, além do fechamento do palato, o osso da fenda alveolar é reposto com enxerto, e a literatura recente discute a origem do osso, alternativas à crista ilíaca e o cuidado com os dentes vizinhos à fenda. Este artigo reúne o que revisões sistemáticas publicadas mostram sobre cada ponto. O conteúdo é educativo para profissionais: a conduta em cada caso é de quem o acompanha.

O que é a fissura alveolar e quando se faz o enxerto ósseo?

A fissura labiopalatina pode incluir uma falha no osso do rebordo alveolar, onde ficam os dentes. O enxerto ósseo alveolar secundário é o procedimento em que essa falha é preenchida com osso. Nas revisões citadas aqui, esse enxerto é descrito como secundário, ou seja, feito depois do fechamento inicial, e o osso da crista ilíaca aparece como o mais usado [2][5]. Para o contexto de reparo de tecidos, veja o guia de regeneração tecidual, e para os tipos de material, o guia de enxerto ósseo.

De onde vem o osso e o que se sabe sobre a dor no local doador?

O osso da crista ilíaca é o padrão de comparação, o que traz uma segunda área cirúrgica. Uma revisão sistemática de 33 estudos e 1.925 pacientes avaliou formas de controlar a dor no local doador do enxerto de crista ilíaca. O uso local de bupivacaína lipossomal foi associado a melhores escores de dor, menor uso de opioides e menor tempo de internação, e outras intervenções tiveram eficácia variável [2]. Os autores apontam grande variação nas técnicas de coleta, nas doses e nas escalas de dor, e pedem protocolos padronizados [2].

O que isso permite concluir: a dor no local doador é uma questão estudada, e há sinais favoráveis a uma estratégia específica. Não permite fixar um protocolo, porque os estudos medem a dor de formas diferentes.

Existem alternativas ao osso da crista ilíaca?

Duas alternativas foram revisadas. A primeira é a proteína morfogenética óssea recombinante (rhBMP-2). Uma meta-análise de 6 estudos que comparou rhBMP-2 com osso ilíaco autógeno encontrou maior formação e maior volume ósseo com o osso autógeno, densidade menor com rhBMP-2 aos 6 e 12 meses e nenhuma diferença nas complicações pós-operatórias. Os autores concluem que a rhBMP-2 não mostrou vantagem evidente e pode causar dano significativo, e pedem mais pesquisa clínica [3].

A segunda é o concentrado de plaquetas, como o PRF. Uma revisão de 16 estudos concluiu que, em fissuras, o PRF associado a aloenxerto teve resultados comparáveis ou não inferiores aos da técnica padrão, com potencial de reduzir a morbidade. As conclusões são limitadas pela heterogeneidade dos estudos e pela ausência de síntese quantitativa, e o PRF aparece como complemento, e não como solução claramente superior [4].

O que isso permite concluir: o osso autógeno segue como referência nas comparações citadas, e as alternativas têm evidência ainda limitada. Não permite dizer que uma delas substitui o enxerto autógeno.

Como ficam os dentes e as raízes perto da fenda?

Uma revisão sistemática de 11 estudos e 878 pacientes com fissura labiopalatina mostrou reabsorção radicular de algum grau em 18,4% dos pacientes e reabsorção clinicamente significativa em 13,8%, contra 4,7% nos dentes do lado sem fenda. Os dentes do lado da fenda eram em média 1,83 mm mais curtos antes do enxerto ósseo alveolar secundário e 2,80 mm mais curtos depois [1]. Em pacientes com fissura, o autotransplante dentário foi descrito em uma revisão de séries e relatos de casos, com 23 pacientes e 27 dentes, dos quais 26 (96,3%) sobreviveram. A maioria dos pacientes tinha recebido enxerto ósseo secundário de osso ilíaco, e os autores indicam que o procedimento parece promissor em casos selecionados e pedem estudos de maior qualidade [5].

Como ler a evidência sobre enxerto na fissura alveolar?

Algumas perguntas ajudam: o estudo compara técnicas ou só descreve uma? Avalia osso formado, dor, complicações ou dentes? Qual a idade dos pacientes e o momento do enxerto? São estudos controlados ou séries de casos? As revisões citadas medem desfechos diferentes, e seus números não são comparáveis entre si.

Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. Veja também os artigos Enxerto ósseo na mandíbula: técnicas e áreas doadoras e Reconstrução parcial da mandíbula com enxerto ósseo. A Zion Bio também publica sobre enxertos: Enxerto Ósseo Odontológico: Guia Completo, no LinkedIn e no Instagram @zion.bio. O portal é educativo e não promove produtos, e o vínculo comercial da Zion Bio, representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, é declarado.

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Perguntas frequentes sobre palatoplastia com enxerto ósseo

O que é o enxerto ósseo alveolar secundário?

É o enxerto que preenche a falha óssea da fenda alveolar depois do fechamento inicial da fissura, com o osso da crista ilíaca como o mais usado nas revisões citadas [2][5].

O local de coleta do osso causa dor?

Sim, é uma questão estudada. Em uma revisão de 33 estudos, a bupivacaína lipossomal local foi associada a melhor controle da dor, com ressalva sobre a variação dos métodos [2].

A rhBMP-2 substitui o osso do próprio paciente?

Em uma meta-análise de 6 estudos, o osso autógeno teve maior formação e maior volume ósseo, e a rhBMP-2 não mostrou vantagem evidente [3].

O PRF pode ser usado no enxerto da fissura?

Em uma revisão, o PRF associado a aloenxerto teve resultados comparáveis ou não inferiores, como complemento e com evidência heterogênea [4].

Os dentes perto da fenda têm risco maior de reabsorção?

Em uma revisão de 11 estudos, a reabsorção radicular clinicamente significativa foi de 13,8% nos pacientes com fissura, contra 4,7% nos dentes do lado sem fenda [1].

Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)

  1. Ren T, Furman D, Tan S, Szymkiewicz V, Zinn IM. Root Resorption and Abnormalities in Cleft Lip and Palate: A Systematic Review. Cleft Palate Craniofac J. 2026. PMID 42709751. DOI https://doi.org/10.1177/10556656261485704
  2. Perez Rivera LR, Herold B, Pullmann D, Juneja A, Narayanan A, Ricke C, Shertzer A, Flores RL. A Systematic Review of Pain Control Protocols in Alveolar Bone Grafting. Cleft Palate Craniofac J. 2026. PMID 42563223. DOI https://doi.org/10.1177/10556656261475472
  3. Xu H, Liu Z. The effectiveness of using recombinant human bone morphogenetic protein-2 in the reconstruction of alveolar clefts: a meta-analysis. Front Oral Health. 2026;7:1786495. PMID 42382924. DOI https://doi.org/10.3389/froh.2026.1786495
  4. Malcangi G, Inchingolo AD, Marinelli G, Casamassima L, Bassi P, Nardelli P, Ciccarese D, Palermo A, Inchingolo F, Del Fabbro M, Inchingolo AM, Dipalma G. Platelet Concentrates in Alveolar and Periodontal Bone Regeneration: Adjunctive Benefits and Clinical Comparability with Conventional Approaches: A Systematic Review. J Clin Med. 2026;15(10):3617. PMID 42194580. DOI https://doi.org/10.3390/jcm15103617
  5. Sulaiman MA, Rudytė A, Ulbinaitė E, Haltsev B, Sulaiman Y, Juodžbalys G, Vasiliauskas A. Tooth Auto-Transplantation in Patients with Cleft Lip and/or Palate: A Systematic Review and Preliminary Clinical Protocol Proposal. J Clin Med. 2026;15(15):5829. PMID 42589933. DOI https://doi.org/10.3390/jcm15155829