Peri-implantite é uma doença inflamatória que afeta o tecido ao redor de um implante dentário e pode causar perda do osso que o sustenta. Aqui você vê o que é, como o tratamento é abordado e o que as revisões sistemáticas permitem concluir, sem promessas de resultado.

O que é peri-implantite?

É a inflamação do tecido ao redor de um implante, associada à perda de osso de suporte. A literatura a descreve como uma condição prevalente, que compromete a estabilidade do implante a longo prazo [1]. O diagnóstico e a conduta cabem ao cirurgião-dentista, com exame clínico e radiográfico.

Como o tratamento é abordado?

Há duas frentes principais. A primeira é a não cirúrgica, com limpeza mecânica do implante, às vezes associada a antibióticos. A segunda é a cirúrgica, que pode incluir acesso por retalho e, em defeitos ósseos selecionados, procedimentos reconstrutivos com enxerto ósseo ou biomaterial. A escolha depende do caso e é decisão do profissional.

O que a evidência diz sobre antibióticos?

Uma revisão sistemática com meta-análise de seis ensaios clínicos randomizados avaliou antibióticos como complemento da limpeza mecânica. Houve redução maior da profundidade de sondagem com antibiótico, e os autores relatam que “reported adverse effects were generally mild” (Faramarzi et al., 2025). Eles destacam também a “protocol heterogeneity and limited long-term data”, ou seja, protocolos muito diferentes entre os estudos e poucos dados de longo prazo [1].

E a cirurgia reconstrutiva com enxerto?

Aqui a evidência pede cautela. Uma revisão de 2019 encontrou maior ganho de nível ósseo marginal nos procedimentos reconstrutivos, mas os autores ressaltam que “graft material may not be distinguishable from newly formed bone” (Tomasi et al., 2019), e que há poucos estudos controlados [2]. Uma meta-análise de 2023 não encontrou diferença significativa na redução da profundidade de sondagem entre a cirurgia reconstrutiva e a cirurgia de acesso por retalho aos 12 meses, e, nas palavras dos autores, “it was not possible to establish a hierarchy of efficacy” entre os biomateriais usados (Donos et al., 2023) [3].

O que isso significa para o cirurgião-dentista, o médico e o médico-veterinário?

Odontologia: é o tema do seu consultório. As três revisões tratam de implantes dentários e podem ser lidas diretamente, com a ressalva de que a certeza da evidência é limitada.

Medicina: a peri-implantite é uma doença de implantes dentários. Para o médico, o que o tema ensina é o raciocínio: reconstruir com biomaterial nem sempre supera a cirurgia de acesso, e complementos precisam de comparação direta.

Medicina veterinária: a peri-implantite é descrita em implantes dentários humanos. as fontes citadas são de estudos em humanos ou em modelos experimentais, e cada espécie tem particularidades. Use a literatura veterinária da sua área e a orientação do fabricante.

O que isso permite concluir?

  • A peri-implantite deve ser avaliada e tratada por profissional habilitado.
  • Os estudos não mostram que um biomaterial seja superior a outro na reconstrução do defeito.
  • Resolução completa da doença foi alcançada em uma pequena parcela dos casos tratados, por qualquer método [3].
  • Estudos de maior duração e padronização ainda são necessários.

O ZionBio Conecta é um portal educativo e não indica tratamento nem promove produtos. Para entender os materiais usados em reconstrução óssea, veja o guia de enxerto ósseo e o comparativo de materiais e o de regeneração óssea. A Zion Bio, representante comercial oficial global da Regener, reúne material técnico em dossiês científicos e em artigos científicos. Esse vínculo comercial é declarado.

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Perguntas frequentes sobre peri-implantite

Peri-implantite tem cura?

Os estudos mostram que a resolução completa foi obtida em uma pequena parcela dos casos tratados [3]. O prognóstico depende do caso e do acompanhamento.

Antibiótico resolve a peri-implantite?

Ele pode ajudar como complemento da limpeza mecânica, mas a evidência é limitada e não o coloca como tratamento isolado [1].

Enxerto ósseo é sempre necessário?

Não. A cirurgia reconstrutiva não superou a cirurgia de acesso na redução da profundidade de sondagem aos 12 meses [3]. A indicação é do cirurgião-dentista.

Qual biomaterial é o melhor?

As revisões não conseguiram estabelecer qual é superior [3].

Este conteúdo substitui a consulta?

Não. É material educativo. Procure o seu cirurgião-dentista.

Referências (verificadas no PubMed em 22/10/2026)

  1. Faramarzi M, Pourkaveh S, Shirmohammadi A, Sadighi M, Mashhadi Jolfaei S, Ziaeirad E, Zandesh A. Risk-based efficacy of systemic and local antibiotics in nonsurgical treatment of peri-implantitis: A systematic review and meta-analysis. J Adv Periodontol Implant Dent. 2025;18(2):72-79. PMID 42254058. DOI https://doi.org/10.34172/japid.026.3971
  2. Tomasi C, Regidor E, Ortiz-Vigón A, Derks J. Efficacy of reconstructive surgical therapy at peri-implantitis-related bone defects. A systematic review and meta-analysis. J Clin Periodontol. 2019;46 Suppl 21:340-356. PMID 30667523. DOI https://doi.org/10.1111/jcpe.13070
  3. Donos N, Calciolari E, Ghuman M, Baccini M, Sousa V, Nibali L. The efficacy of bone reconstructive therapies in the management of peri-implantitis. A systematic review and meta-analysis. J Clin Periodontol. 2023;50 Suppl 26:285-316. PMID 36635029. DOI https://doi.org/10.1111/jcpe.13775