Biomateriais odontológicos são os materiais usados na boca para reconstruir, proteger ou apoiar a regeneração de tecidos, como osso, gengiva e a interface com os implantes. Neste guia você vê as principais classes, como elas aparecem na regeneração óssea, na periodontia e na implantodontia, o que a evidência permite concluir e como ler esses estudos.
O que são biomateriais odontológicos?
São materiais desenvolvidos para ficar em contato com os tecidos da boca e cumprir uma função: preencher um defeito, servir de barreira, recobrir a superfície de um implante ou ajudar o tecido a se regenerar. A revisão de Ferraz (2023) sobre enxertos em odontologia mostra que, na cirurgia oral e maxilofacial, a escolha do material depende de fatores como viabilidade do tecido, tamanho, forma e volume do defeito [1].
Quais são as principais classes de biomateriais odontológicos?
Enxertos ósseos. Podem ser autógenos (do próprio paciente), alógenos (de doador humano), xenógenos (de origem animal) ou sintéticos. O autógeno é o padrão de comparação, mas exige um segundo sítio cirúrgico e tem quantidade limitada. As cerâmicas de fosfato de cálcio, como a hidroxiapatita, são das mais usadas entre as sintéticas por se parecerem com o mineral do osso [1]. Veja o guia de enxerto ósseo.
Membranas. Funcionam como barreira na regeneração óssea guiada. Podem ser de colágeno, de PTFE denso ou de malha de titânio, entre outras. Veja o guia de membrana de colágeno.
Biovidros. Uma revisão de 2025 descreve o biovidro como um material bioativo usado em regeneração periodontal, em revestimento de implantes, no tratamento da hipersensibilidade dentinária e na reparação óssea craniofacial. Os autores apontam resultados promissores com nanocompósitos, impressão 3D e sistemas de liberação de fármacos, na pesquisa e na translação clínica [2].
Superfícies e revestimentos de implantes. Modificações bioativas na superfície de implantes de titânio buscam favorecer a osseointegração. Uma revisão sistemática com meta-análise encontrou melhora significativa no contato entre osso e implante em implantes com superfície modificada e destacou que revestimentos à base de colágeno favoreceram a integração óssea precoce, com heterogeneidade moderada entre os estudos [3].
Como os biomateriais entram na regeneração óssea guiada?
A combinação de enxerto e membrana é usada para recuperar volume ósseo antes ou durante a instalação de implantes. O enxerto sustenta o volume e a membrana protege o espaço contra a invasão de tecidos de crescimento mais rápido.
Uma revisão sistemática de 2026 sobre aumento vertical do rebordo comparou membranas de PTFE denso reforçadas com titânio e membranas de colágeno. As duas abordagens foram eficazes, sem superioridade estatística consistente de uma sobre a outra, e a escolha deve ser individualizada conforme o defeito [4].
Na preservação do rebordo após a extração, uma meta-análise em rede de 88 ensaios clínicos mostrou que todos os materiais testados reduziram a perda horizontal e vertical em comparação com a cicatrização espontânea. Xenoenxertos e aloenxertos foram os mais previsíveis, e os autores pedem mais evidência sobre as alternativas [5].
O que isso permite concluir: usar um biomaterial costuma preservar mais o rebordo do que não usar, e há mais de uma opção válida. Não permite concluir que uma classe seja melhor em todos os casos.
O que influencia o resultado, além do material?
O material é uma parte do resultado. Em implantodontia, uma revisão sobre o metabolismo ósseo peri-implantar mostra que a osseointegração padrão é previsível, mas que fatores do paciente, como o tabagismo e a síndrome metabólica, fatores cirúrgicos e certos medicamentos influenciam o osso ao redor do implante [6]. Por isso, a indicação e o acompanhamento clínico importam tanto quanto o produto.
Critérios de escolha
A escolha depende da indicação, da técnica e do protocolo do profissional. Produtos como o Blue Bone e a Green Membrane, da Regener, têm instruções de uso do fabricante, que devem ser seguidas. A Zion Bio é representante comercial oficial global da Regener Biomateriais, e esse vínculo é declarado aqui. Esta página é informativa e não faz oferta de venda. Veja as páginas Blue Bone e Green Membrane.
Como ler a evidência sobre biomateriais odontológicos?
Nem todo material tem o mesmo volume de estudos. Ajudam algumas perguntas: o estudo foi feito com este produto ou com a classe do material? Foi em pessoas, em animais ou em laboratório? Mediu osso formado, complicações ou a sobrevida do implante? E de que ano é? As revisões citadas mostram que comparações valem para o defeito estudado, e não para todos [4][5].
Neste portal, cada estudo traz a fonte e a leitura do que ele permite concluir. Para receber essa curadoria e participar dos encontros ao vivo, conheça a comunidade do ZionBio Conecta. A Zion Bio também publica sobre o tema: Enxerto Ósseo Odontológico: Guia Completo, no LinkedIn e no Instagram @zion.bio.
Onde atuamos
O ZionBio Conecta é um portal online, com atuação global: profissionais de qualquer lugar podem acompanhar a curadoria e os encontros ao vivo. Para tirar dúvidas ou falar com a equipe, chame no WhatsApp (41) 99695-0917.
Perguntas frequentes sobre biomateriais odontológicos
Quais são os biomateriais mais usados na odontologia?
Enxertos ósseos, membranas, biovidros e materiais de superfície de implantes, entre outros. O uso de cada um depende da indicação [1][2][3].
Enxerto e membrana são a mesma coisa?
Não. O enxerto sustenta o volume do osso. A membrana é uma barreira que protege o espaço do enxerto [4].
Qual biomaterial é o melhor?
Não há um melhor para todos os casos. A escolha depende do defeito, da técnica e do profissional, e as revisões não mostram superioridade consistente entre algumas opções [4][5].
Superfície de implante com revestimento funciona melhor?
Uma meta-análise encontrou melhora no contato osso-implante com superfícies bioativas, com heterogeneidade moderada entre os estudos [3].
O resultado depende só do material?
Não. Fatores do paciente, como o tabagismo, e fatores cirúrgicos também influenciam o resultado [6].
Referências (verificadas no PubMed em 21/10/2026)
- Ferraz MP. Bone Grafts in Dental Medicine: An Overview of Autografts, Allografts and Synthetic Materials. Materials (Basel). 2023;16(11):4117. PMID 37297251. DOI https://doi.org/10.3390/ma16114117
- Thomas NG, Souza Junior FG, Ninan N, Anil S, Raju RS, Varghese N, Chopra A, Thomas S. Bioglass in dentistry: A comprehensive review of current applications and innovative frontiers. J Dent. 2025;162:106017. PMID 40754062. DOI https://doi.org/10.1016/j.jdent.2025.106017
- Al Shayeb M, Elfadil S, Abutayyem H, Shqaidef A, Marrapodi MM, Cicciù M, Minervini G. Bioactive surface modifications on dental implants: a systematic review and meta-analysis of osseointegration and longevity. Clin Oral Investig. 2024;28(11):592. PMID 39392473. DOI https://doi.org/10.1007/s00784-024-05958-y
- Duchatelle C, Costa R, Vinhas AS, Salazar F, Cabral C, Reis C. Guided Bone Regeneration for Vertical Alveolar Augmentation: Clinical Evaluation of d-PTFE-Ti Membranes and Comparison with Collagen Membranes: A Systematic Review. J Funct Biomater. 2026;17(8):353. PMID 42646156. DOI https://doi.org/10.3390/jfb17080353
- Canullo L, Del Fabbro M, Khijmatgar S, Panda S, Ravidà A, Tommasato G, Sculean A, Pesce P. Dimensional and histomorphometric evaluation of biomaterials used for alveolar ridge preservation: a systematic review and network meta-analysis. Clin Oral Investig. 2022;26(1):141-158. PMID 34826029. DOI https://doi.org/10.1007/s00784-021-04248-1
- Insua A, Galindo-Moreno P, Miron RJ, Wang HL, Monje A. Emerging factors affecting peri-implant bone metabolism. Periodontol 2000. 2024;94(1):27-78. PMID 37904311. DOI https://doi.org/10.1111/prd.12532